sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Bíblia sustenta a confiabilidade das sensações? - Vincent Cheung


              
                     
                        Qualquer cristão que admite algum grau de confiança no empirismo e na ciência para o conhecimento sobre a realidade faz isso por razões erradas. Para ilustrar, o filósofo cristão Ronald Nash escreve: 

[…] muito do conteúdo da Bíblia depende da experiência e do 
testemunho humano. Se os sentidos forem completamente não confiáveis, então não poderemos confiar nos relatos de 
testemunhas que dizem, por exemplo, que ouviram Jesus ensinar, 
ou que o viram morrer, ou que o viram ressurrecto três dias 
depois da sua crucificação. Se não houver nenhum testemunho 
sensorial da ressurreição de Jesus, então a verdade da fé cristã 
fica exposta a sério desafio. 1

                 Tolice. Ele diz: “muito do conteúdo da Bíblia depende da experiência e do testemunho humano”. Isso é mentira. Nem uma só proposição na Bíblia depende da experiência e do testemunho humano. Antes, todo o conteúdo da Bíblia depende da inspiração divina, o que inclui às vezes um registro e uma interpretação divinamente inspirada do autor sobre a experiência e o testemunho humano. Temos aqui uma visão segundo a qual os autores bíblicos devem depender da experiência e do testemunho humano quando escrevem, pelo menos para obter algo do conteúdo; a outra diz que eles dependem apenas da inspiração divina, inclusive quando escrevem sobre a experiência e o testemunho humano. Há uma grande diferença entre as duas. Os não cristãos acreditam na primeira, mas os cristãos acreditam na segunda. 

Nem uma só proposição na Bíblia depende da experiência e 
do testemunho humano. 

                  Ele continua: “Se os sentidos forem completamente não-confiáveis, então não poderemos confiar nos relatos de testemunhas que dizem, por exemplo, que ouviram Jesus ensinar, ou que o viram morrer, ou que o viram ressurrecto três dias depois da sua crucificação”. Isso também é falso. 

                  A menos que os sentidos sejam completamente confiáveis, não há nenhuma maneira de saber pela sensação até que ponto nossos sentidos são confiáveis. Mas se os sentidos de forma alguma são confiáveis, não podemos nem mesmo saber pela sensação que eles de forma alguma são confiáveis, pois do contrário isso significaria que podemos de fato verificar pela sensação que toda sensação é falsa ― e estaríamos obtendo assim algo correto pela sensação, o que contradiria a noção que os nossos sentidos de forma alguma são confiáveis. Alguém poderia dizer que, pelo menos às vezes, os sentidos não são confiáveis; mas então, novamente, não haveria nenhuma maneira de julgar pela sensação até que ponto os sentidos são confiáveis, ou se são confiáveis em um caso particular.

A menos que os sentidos sejam completamente confiáveis, não há nenhuma maneira de saber pela sensação até que ponto nossos sentidos são confiáveis.

                        A verdade é que não podemos saber pela sensação qual sensação está correta e qual está incorreta, ou o grau de confiabilidade da sensação. Portanto, qualquer grau de dependência do empirismo em um dado assunto resulta em completo agnosticismo sobre esse assunto. Isto é diferente de um mero envolvimento da sensação, como no testemunho infalível das Escrituras sobre as observações empíricas de algumas pessoas. A dependência das Escrituras é da inspiração, com dependência zero da sensação. Se Deus assim o quisesse, qualquer passagem bíblica escrita sobre a observação empírica de uma pessoa poderia, de fato, ter sido escrita sem nenhum envolvimento da observação empírica. 

                        Por exemplo, o primeiro capítulo de Gênesis foi escrito sem qualquer dependência ou envolvimento da observação empírica pelo autor de Gênesis, mas não é menos verdadeiro. O mesmo poderia ter acontecido com todas as passagens bíblicas sobre a ressurreição de Cristo, se Deus assim tivesse desejado. Portanto, nem uma só passagem bíblica realmente depende da experiência e do testemunho humano, embora o conteúdo de algumas passagens bíblicas de fato envolva experiência e testemunho humano, sem depender deles.

                                  Se os sentidos são menos que infalíveis, precisamos de uma autoridade ou padrão infalível não sensorial para julgar todos os casos de sensação para obtermos alguma informação confiável a partir delas. Mas quando aceitamos um caso de sensação como sendo preciso por causa do testemunho dessa autoridade ou padrão infalível não sensorial, estamos na verdade aceitando o testemunho dessa autoridade ou padrão não sensorial, e não o testemunho da sensação. A Bíblia inclui testemunhos infalíveis sobre o que algumas pessoas perceberam pelos sentidos, e aceitamos que nesses casos as pessoas sentiram o que pensaram ter sentido porque aceitamos o testemunho da Bíblia sobre as sensações delas, e não porque aceitamos o testemunho das sensações delas. Essas pessoas poderiam estar erradas em todos os outros casos. Nash omite completamente essa distinção óbvia e necessária.

                       Finalmente, ele diz: “Se não houver nenhum testemunho sensorial da ressurreição de Jesus, então a verdade da fé cristã fica exposta a sério desafio”. Mas por que “a verdade da fé cristã” precisa depender do “testemunho sensorial”? De onde vem essa alegação e como ela é justificada? É claro que existem testemunhos sensoriais da ressurreição de Jesus, mas não temos contato direto com eles. Mesmo se tivéssemos, isso não ajudaria muito, pois não somos apóstolos e, portanto, nossa opinião sobre esses testemunhos não seria infalível. No entanto, temos contato direto com os testemunhos apostólicos infalíveis sobre esses testemunhos sensoriais e os testemunhos infalíveis dos apóstolos sobre o que eles próprios viram.


                                  Para nos certificarmos de que entendemos o ponto de Nash, combinamos a segunda e a terceira parte de seu parágrafo: “Se os sentidos forem completamente não confiáveis, então não poderemos confiar nos relatos de testemunhas que dizem, por exemplo, que… o viram ressurrecto três dias depois da sua crucificação. Se não houver nenhum testemunho sensorial da ressurreição de Jesus, então a verdade da fé cristã fica exposta a sério desafio”. Mais uma vez, isso mostra que ele omite algumas distinções elementares. 

                                 Dizer que os sentidos não são confiáveis não significa dizer que eles estão 
sempre errados. Apenas significa que a sensação não fornece nenhuma base para determinar se um caso particular de sensação está correto ― como, por exemplo, se uma pessoa de fato vê o que ela pensa que vê. Assim, embora os sentidos não sejam confiáveis, as visões do Cristo ressurrecto podem ser verdadeiras. O problema não é que nunca vemos o que pensamos que vemos, mas como saber que vemos o que pensamos que vemos em um dado caso. O testemunho bíblico é que, naqueles casos onde as testemunhas pensaram ter visto o Cristo ressurrecto, elas estavam corretas ― elas de fato viram o Cristo ressurrecto.


O problema não é que nunca vemos o que pensamos que vemos, mas como saber que vemos o que pensamos que vemos em um dado caso.

                               Isso não faz nada para apoiar a confiabilidade da sensação, mas apenas a confiabilidade daqueles vários casos de sensação com base na infalibilidade da inspiração bíblica. A crença de que as testemunhas realmente viram o que pensaram que viram repousa totalmente no testemunho bíblico sobre as suas sensações, e não sobre as sensações em si.

                             Como ilustração, vejamos algumas passagens, começando com uma sobre uma batalha entre Israel e Moabe:





[Eliseu] disse: “Assim diz o SENHOR: Façam este vale cheio de 
cisternas. Pois assim diz o SENHOR: Vocês não verão vento nem 
chuva, contudo este vale se encherá de água, e vocês, seus 
rebanhos e seus outros animais beberão. Isso é ainda pouco aos 
olhos do SENHOR; ele também entregará Moabe nas mãos de 
vocês. Vocês destruirão toda cidade fortificada e toda cidade 
importante. Derrubarão toda árvore frutífera, taparão todas as 
fontes e arruinarão todas as terras de cultivo com pedras”.

Na manhã seguinte, na hora de oferecer o sacrifício, aí estava ―
água veio descendo da direção de Edom! E a terra foi alagada 
com água. 

Ora, todos os moabitas ouviram que os reis tinham vindo para 
lutar contra eles; assim, todos os homens que poderiam empunhar 
armas, jovens e velhos, foram convocados e posicionaram-se na 
fronteira. Quando se levantaram logo cedo na manhã seguinte, o
sol refletia na água. Para os moabitas que estavam defronte dela, 
a água parecia vermelha ― como sangue. “É sangue!”, gritaram. 
“Os reis lutaram entre si e se mataram. Agora, ao saque, Moabe!”

Mas quando os moabitas chegaram ao acampamento de Israel, os 
israelitas os atacaram e os puseram em fuga. E os israelitas 
invadiram o território e arrasaram os moabitas. (2 Reis 3.16-24, 
NIV) 


                           O que os moabitas viram ― sangue ou água? Os moabitas pensaram ter visto 
sangue, mas seus sentidos os enganaram. Sabemos que eles viram água que parecia sangue porque é isso o que diz o testemunho infalível das Escrituras. Assim, essa passagem indica que os sentidos não são confiáveis e mostra que dependemos da inspiração divina para nos informarmos sobre casos particulares de sensações.


                 Outra passagem é Mateus 14.25-27, onde Jesus andou sobre a água: “Alta madrugada Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar. Quando o viram andando sobre o mar, ficaram aterrorizados e disseram: ‘É um fantasma!’. E gritaram de medo. Mas Jesus imediatamente lhes disse: ‘Coragem! Sou eu. Não tenham medo!’”. Os apóstolos pensaram ter visto um fantasma, quando na verdade estavam obsevando Jesus. Portanto, até as percepções sensoriais dos apóstolos estavam às vezes erradas. Mas, em si mesma, a passagem de Mateus 14 não está sujeita à falibilidade das percepções sensoriais, pois não está baseada nas percepções sensoriais; antes, é um testemunho infalível sobre como as percepções sensoriais dos apóstolos enganaram eles neste caso em particular.


                         João 12.28-29 diz: “‘Pai, glorifica o teu nome!’ Então veio uma voz dos céus: ‘Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente’. A multidão que ali estava e a ouviu, disse que tinha trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado”. Então, eles ouviram um trovão ou uma voz? Não podemos dizer com base na sensação ― até mesmo as pessoas que estavam presentes não chegaram a um consenso. Contudo, o testemunho infalível das Escrituras nos dá a interpretação; portanto, se você acredita que essa voz foi mais que um trovão, sua crença não tem de fato nenhuma base no testemunho da sensação ― sua única base é a autoridade das Escrituras, que é o princípio primeiro e a autoridade última do cristão. 


                            Aqui está outro exemplo: “Os onze discípulos foram para a Galiléia, para o 
monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram” (Mateus 28.16-17). Mas alguns duvidaram?! Eles estavam bem ali observando o Cristo ressurrecto ― como podiam duvidar? Mas eles duvidaram, e isso não é surpresa debaixo de uma epistemologia bíblica que rejeita a confiabilidade da sensação. O empirismo não pode justificar nenhuma crença e não pode resistir ao escrutínio. Logo, “se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16.31).

O empirismo não pode justificar nenhuma crença e não pode resistir ao escrutínio.

                             Por esta razão, muito embora Jesus estivesse bem à frente deles, em vez de usar evidência empírica para convencer os discípulos de sua ressurreição, ele preferia que eles cressem com base nas Escrituras infalíveis:



Enquanto conversavam e discutiam essas coisas entre si, o 
próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles; mas 
eles foram impedidos de reconhecê-lo… Ele lhes disse: “Como 
vocês são tolos e como demoram a crer em tudo o que os profetas 
falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas e então entrar na 
sua glória?”. E, começando com Moisés e todos os Profetas, 
explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as 
Escrituras. (Lucas 24.15-16, 25-27, NIV)

                   O versículo 16 diz: “Eles foram impedidos de reconhecê-lo”. A pessoa que depende de suas sensações estaria realmente em desvantagem aqui, não é mesmo? De fato, o versículo 24 parece implicar a dependência dos profetas de suas sensações: “Então alguns dos nossos companheiros foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito, mas não viram ele” (NIV). Se esses discípulos foram impedidos de reconhecer Cristo, poderíamos saber o que eles viram ou não viram sem um testemunho infalível dando-nos a verdade? Cristo responde: “Como vocês são tolos e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram!” (v. 25, NIV). Podemos ser tolos e crer em nossa sensação ou podemos ser sábios e crer na revelação bíblica. 



Podemos ser tolos e crer em nossa sensação ou podemos ser sábios e crer na revelação bíblica.

                          Em outro lugar, Jesus diz: “Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram 
e creram” (João 20.29). Este versículo é usado às vezes para contrapor o ensino que as sensações não são confiáveis, que elas não podem oferecer nenhum conhecimento. Mas esse uso é uma distorção estranha da intenção do versículo. O versículo não diz nada sobre a confiabilidade das sensações. O contraste imediato não é nem mesmo entre a sensação e a revelação, mas entre a presença e a ausência de uma base de sensação. Jesus diz que uma crença nele sem base na sensação é uma crença abençoada. Ele nem mesmo diz mais abençoada, porque, de fato, nenhuma benção é atribuída a uma crença que tem base na sensação. Não se quer com isso dizer que uma crença que tem alguma base na sensação é falsa; mas, pelo menos neste versículo, nenhuma bênção é vinculada a ela. Como as pessoas vão acreditar se não tiverem as experiências sensoriais relevantes? Jesus fala sobre “aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles” (João 17.20); isto é, pessoas virão à fé em Cristo por causa do que os apóstolos falam e escrevem. 


                         1 João 1.1-3 é uma passagem favorita para os empiristas, mas ela prova o que 
eles querem?


O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os 
nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam 
― isto proclamamos a respeito da Palavra da vida. A vida se 
manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a 
vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada. 
Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês 
também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o 
Pai e com seu Filho Jesus Cristo


                        Certamente a passagem contém várias referências às sensações, mas não dá 
nenhuma garantia de que todas as nossas sensações, algumas de nossas sensações ou qualquer uma de nossas sensações são confiáveis. Pelo contrário, ela é um testemunho divinamente inspirado sobre a experiência que João e os outros tiveram com Jesus Cristo. A partir desta passagem, não podemos dizer que todas as sensações de João eram confiáveis. Na verdade nem mesmo podemos dizer que todas as sensações de João sobre Cristo eram confiáveis, já que ele poderia ter sido um daqueles que pensaram ter visto um fantasma andando sobre a água, quando na verdade tratava-se de Jesus. Assim, a passagem não dá nenhum suporte à confiabilidade da sensação ou uma teoria empírica de epistemologia.

                        O que a passagem diz é que os apóstolos tiveram contato físico com Jesus, que ele tinha um corpo humano real e era a encarnação de Deus. Isso é tudo o que podemos deduzir sobre sensação a partir desta passagem. A maior parte da passagem é totalmente independente da sensação. Por exemplo, João chama Jesus de “o que era desde o princípio”, “Palavra da vida”, “a vida”, “a vida eterna” e “Filho [de Deus]”. Mas é impossível saber ou inferir, a partir de uma sensação temporal do aparecimento físico de Cristo, que ele era “o que era desde o princípio”. Seu corpo era um corpo humano real, de modo que por vê-lo ou tocá-lo ninguém poderia ter sabido que ele era Deus.


                   Quando Pedro disse a Jesus “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16), Jesus respondeu: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus” (v. 17). Pedro não veio a saber que Jesus era o Cristo e Filho de Deus pela visão ou toque, mas pela iluminação divina concedida à sua mente pela graça soberana de Deus. Em 1 João 1.1-3, o apóstolo está dizendo aos leitores o que ele viu e tocou; ele jamais diz que descobriu a natureza e identidade do que viu e tocou por ver e tocar. Ele ficou sabendo da natureza e identidade do que viu e tocou da mesma maneira que Pedro ― pela iluminação divina, totalmente à parte da sensação. E é assim que uma pessoa hoje pode vir a conhecer e concordar com a verdade a respeito de Cristo. Que diferença! A passagem dá suporte zero ao empirismo e, em vez disso, revela a impotência da sensação. 


                    Há muitos outros exemplos, mas vamos encerrar com aquele onde Paulo escreve 
sobre a ressurreição de Cristo.


Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que 
Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi 
sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e 
apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a 
mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais 
ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois 
apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes 
apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo. 
(1 Coríntios 15.3-8) 


                  Como Nash, muitos cristãos defendem que devemos conceder um lugar 
essencial à sensação em nossa epistemologia porque a Bíblia concede esse lugar à 
sensação, e até depende da sensação em algumas passagens. Entre outros exemplos, eles 
usam passagens como 1 Coríntios 15.3-8.


                  Os versículos 5-8 contêm a parte relevante para o empirismo. Novamente, 
recebemos a passagem não como uma sensação ou observação, mas como revelação 
bíblica. Ela pode conter informação sobre sensações e observações, mas a autoridade do 
testemunho reside na inspiração divina das Escrituras, e não no conteúdo empírico ao 
qual ela se refere. De fato, Paulo começa por enfatizar que o que Cristo fez se deu 
“segundo as Escrituras” (v. 3-4).


                  Se Deus endossa Abraão, a autoridade do seu endosso não vem de Abraão. Ao contrário, Abraão recebe credibilidade por causa do endosso de Deus. Se o endosso é específico a um aspecto ou evento na vida de Abraão, o endosso não pode ser aplicado a toda a vida de Abraão. Da mesma forma, quando a Bíblia testifica sobre algo, sua autoridade não repousa sobre aquilo que ela testifica, mas sobre a inspiração divina. Isto é, a Bíblia é verdadeira não porque foi confirmada por sensação ou observação, mas porque foi produzida por inspiração divina.


A Bíblia é verdadeira não porque foi confirmada por
sensação ou observação, mas porque foi produzida por inspiração divina.

                     Claro que existem evidências “empíricas” para a ressurreição de Cristo ― os 
discípulos viram Cristo muitas vezes depois de sua ressurreição. Mas não é por causa dessas ocorrências que sabemos que a Bíblia é verdadeira; antes, sabemos sobre elas por causa da Bíblia, e por causa da Bíblia é que também sabemos que aquelas pessoas de fato viram o que pensaram que viram. Sabemos que Cristo ressuscitou porque a Bíblia assim o diz, e sabemos que os discípulos viram o Cristo ressurrecto também porque a Bíblia assim o diz. No entanto, é impossível avançar então além do que a Bíblia diz e derivar dela uma teoria empírica de epistemologia.

                    Se você acredita na ressurreição de Cristo por causa das percepções sensoriais 
de outras pessoas, ou mesmo de suas próprias percepções sensoriais, você não tem nenhuma defesa contra todas as supostas visões e aparições, mesmo aquelas que contradizem as que você defende. Mas visões e aparições contraditórias entre si não podem ser todas verdadeiras; assim, basear crenças religiosas em percepções sensoriais, sejam elas suas ou de outras pessoas, pode apenas resultar em confusão, incerteza e ceticismo. No entanto, se a nossa autoridade última são as Escrituras, podemos declarar com base nessa autoridade que aqueles que têm visões e experiências antibíblicas estão delirando.

                   Os cristãos creem na ressurreição de Cristo por causa do testemunho infalível dos apóstolos, e às vezes os apóstolos registraram o que eles ou outras pessoas viram, julgando esses casos particulares como sendo precisos por inspiração divina. É isso o que a Bíblia mostra sobre as percepções sensoriais ― às vezes elas são precisas, e às vezes elas não são precisas, e sabemos quando elas são precisas baseados na inspiração divina dos profetas e apóstolos. É obviamente impossível tomar isso e inferir que as Escrituras concedem algum grau de confiabilidade às sensações.  


                    É o testemunho infalível das Escrituras que dá confirmação a casos particulares de observações empíricas, e assim, aqueles que dizem que devemos dar um lugar às sensações em nossa epistemologia porque a Bíblia, às vezes, depende das sensações inverteram a ordem de autoridade. Sensações não confiáveis não podem provar ou refutar as afirmações bíblicas; por outro lado, as afirmações bíblicas podem provar ou refutar casos particulares de sensações. Mas, visto que ninguém hoje pode afirmar possuir inspiração ou infalibilidade divina, nenhum caso de sensação ou observação hoje pode ser certificado pela autoridade divina.


                       É obvio, então, que tudo acerca do cristianismo repousa na revelação bíblica. As 
Escrituras são a nossa autoridade última, e nada mais importa em contraste. Você pode fazer então a mais importante das perguntas: “Você faz com que tudo seja apoiado na verdade da Bíblia, mas a Bíblia é de fato verdadeira?”. Assim que você faz essa pergunta, o foco do debate se desloca da historicidade da ressurreição de Cristo para o princípio primeiro cristão da inspiração e infalibilidade bíblica. Se a Bíblia é de fato inspirada e infalível, tudo o que ela diz é verdade, incluindo tudo o que ela diz sobre a ressurreição de Cristo e sua importância. Se prosseguir por tempo suficiente, todo debate deverá ser finalmente resolvido no nível pressuposicional. E assim que o debate chega ao nível pressuposicional, o nível dos princípios primeiros, já o vencemos. 

Por Vincent Cheung, Questões Últimas; Editora Monergismo, 2009.
Tradução Marcelo Heberts























quarta-feira, 1 de maio de 2013

Livros Não Mudam Pessoas - John Piper

       

           Livros não mudam pessoas; parágrafos, sim. Às vezes, até sentenças. Ainda recordo 
uma tarde, no outono de 1968, quando estive em uma livraria na Avenida Colorado, em 
Pasadena, e li a primeira página de The Weight of Glory (O Peso de Glória), escrito por C. S. 
Lewis. Ainda que eu não tivesse lido outra página, minha vida teria sido mudada para 
sempre. Talvez possa resumir o que li em duas sentenças: “Somos criaturas indiferentes, 
que brincam com bebidas, sexo e ambição, enquanto o gozo infinito é-nos oferecido; como 
uma criança ignorante que deseja continuar brincando na lama em uma favela, porque não 
imagina o que significa o oferecimento de um feriado na praia. Satisfazemo-nos com coisas 
pequenas demais”. Quase trinta anos depois, ainda sinto o arrepio daquela descoberta e o 
ímpeto de luz que me atingiu. Nada mais seria o mesmo. Apenas um parágrafo, e a obra 
decisiva foi realizada.

              Isso não é algo novo. Dezesseis séculos atrás, em agosto de 386, Agostinho estava 
em aflição espiritual. Em um jardim de Milão (Itália), ele se lançou ao chão, debaixo de uma 
figueira, e deu lugar às lágrimas, que jorravam de seus olhos: “Arranquei cabelos e bati na 
cabeça com os punhos. Fechei os dedos e abracei os joelhos”. Em seguida, ele ouviu “a voz 
melódica de um menino ou menina, não tenho certeza, que repetia em refrão: ‘Pega-o e lê; 
pega-o e lê’”. Agostinho aceitou isso como “uma ordem divina para abrir meu livro das 
Escrituras e ler a primeira passagem em que caísse o meu olhar”. Ele abriu e leu: 
“Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgia e bebedices, não em 
impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus e 
nada disponhas para a carne no tocante às suas concupiscências”. Com duas sentenças, 
toda a aflição foi desfeita. “Não tive qualquer desejo de ler mais, nem precisava fazê-lo. 
Pois, em um instante, quando cheguei ao final da sentença, aconteceu como se a luz da 
confiança inundasse meu coração, e todas as trevas de dúvidas foram removidas”.

              Quanto a Lutero, sua vida foi tocada por intermédio de outra das grandes sentenças 
do apóstolo Paulo – Romanos 1:16-17. Na vida de Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1:17. 
Para John Wesley foi o prefácio do comentário livro A Epístola aos Romanos, escrito por 
Lutero. E poderíamos acrescentar outros nomes à lista. A verdade é que a leitura de muitos 
livros pode ser semelhante a ajuntar pedaços de madeira, mas as chamas brilham de uma 
única sentença. A marca é deixada na mente não pela queima de muitas páginas, e sim pelo 
calor de uma sentença aquecida por Deus.

              Minha oração é que Deus se agrade em tornar as breves leituras deste livro e 
queimar uma sentença ou um parágrafo em sua mente. As meditações têm apenas duas ou 
três páginas de extensão. Não estão arranjadas em ordem de assuntos. O que as mantém 
unidas é uma busca por experimentarmos a supremacia de Deus em toda a vida. O meu 
alvo é despertar e nutrir essa fome.


Prefácio do livro Uma Vida Voltada para Deus, John Piper, Editora Fiel.
Por João Paulo Freitas. Jovens Reformados.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Coisas que até um Ateu pode ver - Augustus Nicodemus


Um número razoável de cientistas e filósofos ateus ou agnósticos vem em anos recentes engrossando as fileiras daqueles que expressam dúvidas sérias sobre a capacidade da teoria da evolução darwinista para explicar a origem da vida e sua complexidade por meio da seleção natural e da natureza randômica ou aleatória das mutações genéticas necessárias para tal.

Poderíamos citar Anthony Flew, o mais notável intelectual ateísta da Europa e Estados Unidos que no início do século XXI anunciou sua desconversão do ateísmo darwinista e adesão ao teísmo, por causa das evidências de propósito inteligente na natureza. Mais recentemente o biólogo molecular James Shapiro, da Universidade de Chicago, ele mesmo também ateu, publicou o livro Evolution: A View from 21st Centuryonde desconstrói impiedosamente a evolução darwinista.
Thomas Nagel

E agora é a vez de Thomas Nagel, professor de filosofia e direito da Universidade de Nova York, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, ganhador de vários prêmios com seus livros sobre filosofia, e um ateu declarado. Ele acaba de publicar o livro Mind & Cosmos (“Mente e Cosmos”) com o provocante subtítulo Why the materialist neo-darwinian conception of nature is almost certainly false (“Por que a concepção neo-darwinista materialista da natureza é quase que certamente falsa”), onde aponta as fragilidades do materialismo naturalista que serve de fundamento para as pretensões neo-darwinistas de construir uma teoria do todo (Não pretendo fazer uma resenha do livro. Para quem lê inglês, indico a excelente resenha feita por William Dembski e o comentário breve de Alvin Plantinga).

Estou mencionando estes intelectuais e cientistas ateus por que quando intelectuais e cientistas cristãos declaram sua desconfiança quanto à evolução darwinista são descartados por serem "religiosos". Então, tá. Mas, e quando os próprios ateus engrossam o coro dos dissidentes?

Neste post eu gostaria apenas de destacar algumas declarações de Nagel no livro que revelam a consciência clara que ele tem de que uma concepção puramente materialista da vida e de seu desenvolvimento, como a evolução darwinista, é incapaz de explicar a realidade como um todo. Embora ele mesmo rejeite no livro a possibilidade de que a realidade exista pelo poder criador de Deus, ele é capaz de enxergar que a vida é mais do que reações químicas baseadas nas leis físicas e descritas pela matemática. A solução que ele oferece – que a mente sempre existiu ao lado da matéria – não tem qualquer comprovação, como ele mesmo admite, mas certamente está mais perto da concepção teísta do que do ateísmo materialista do darwinismo.

Ele deixa claro que sua crítica procede de sua própria análise científica e que mesmo assim não será bem vinda nos círculos acadêmicos:

“O meu ceticismo [quanto ao evolucionismo darwinista] não é baseado numa crença religiosa ou numa alternativa definitiva. É somente a crença de que a evidência científica disponível, apesar do consenso da opinião científica, não exige racionalmente de nós que sujeitemos este ceticismo [a este consenso] neste assunto” (p. 7).

“Eu tenho consciência de que dúvidas desta natureza vão parecer um ultraje a muita gente, mas isto é porque quase todo mundo em nossa cultura secular tem sido intimidado a considerar o programa de pesquisa reducionista [do darwinismo] como sacrossanto, sob o argumento de que qualquer outra coisa não pode ser considerada como ciência” (p.7).

Ele profetiza o fim do naturalismo materialista, o fundamento do evolucionismo darwinista:

“Mesmo que o domínio [no campo da ciência] do naturalismo materialista está se aproximando do fim, precisamos ter alguma noção do que pode substitui-lo” (p. 15).

Para ele, quanto mais descobrimos acerca da complexidade da vida, menos plausível se torna a explicação naturalista materialista do darwinismo para sua origem e desenvolvimento:

“Durante muito tempo eu tenho achado difícil de acreditar na explicação materialista de como nós e os demais organismos viemos a existir, inclusive a versão padrão de como o processo evolutivo funciona. Quanto mais detalhes aprendemos acerca da base química da vida e como é intrincado o código genético, mais e mais inacreditável se torna a explicação histórica padrão [do darwinismo]” (p. 5).

“É altamente implausível, de cara, que a vida como a conhecemos seja o resultado da sequência de acidentes físicos junto com o mecanismo da seleção natural” (p. 6).

Não teria havido o tempo necessário para que a vida surgisse e se desenvolvesse debaixo da seleção natural e mutações aleatórias:

“Com relação à evolução, o processo de seleção natural não pode explicar a realidade sem um suprimento adequado de mutações viáveis, e eu acredito que ainda é uma questão aberta se isto poderia ter acontecido no tempo geológico como mero resultado de acidentes químicos, sem a operação de outros fatores determinando e restringindo as formas das variações genéticas” (p. 9).

Nagel surpreendentemente defende os proponentes mais conhecidos do design inteligente:

“Apesar de que escritores como Michael Behe e Stephen Meyer[1] sejam motivados parcialmente por suas convicções religiosas, os argumentos empíricos que eles oferecem contra a possibilidade da vida e sua história evolutiva serem explicados plenamente somente com base na física e na química são de grande interesse em si mesmos... Os problemas que estes iconoclastas levantam contra o consenso cientifico ortodoxo deveriam ser levados a sério. Eles não merecem a zombaria que têm recebido. É claramente injusta” (p.11).

Num parágrafo quase confessional, Nagel reconhece que lhe falta o sentimento do divino que ele percebe em muitos outros:

“Confesso um pressuposto meu que não tem fundamento, que não considero possível a alternativa do design inteligente como uma opção real – me falta aquelesensus divinitatis [senso do divino] que capacita – na verdade, impele – tantas pessoas a ver no mundo a expressão do propósito divina da mesma maneira que percebem num rosto sorridente a expressão do sentimento humano” (p.12).

Para Nagel, o evolucionismo darwinista, com sua visão materialista e naturalista da realidade, não consegue explicar o que transcende o mundo material, como a mente e tudo que a acompanha:

“Nós e outras criaturas com vida mental somos organismos, e nossa capacidade mental depende aparentemente de nossa constituição física. Portanto, aquilo que explicar a existência de organismos como nós deve explicar também a existência da mente. Mas, se o mental não é em si mesmo somente físico, não pode, então, ser plenamente explicado pela ciência física. E então, como vou argumentar mais adiante, é difícil evitar a conclusão que aqueles aspectos de nossa constituição física que trazem o mental consigo também não podem ser explicados pela ciência física. Se a biologia evolutiva é uma teoria física – como geralmente é considerada – então não pode explicar o aparecimento da consciência e de outros fenômenos que não podem ser reduzidos ao aspecto físico meramente” (p. 15).

“Uma alternativa genuína ao programa reducionista [do darwinismo] irá requerer uma explicação de como a mente e tudo o que a acompanha é inerente ao universo” (p.15).

“Os elementos fundamentais e as leis da física e da química têm sido assumidos para se explicar o comportamento do mundo inanimado. Algo mais é necessário para explicar como podem existir criaturas conscientes e pensantes, cujos corpos e cérebros são feitos destes elementos” (p.20).

Menciono por último a perspicaz observação de Nagel, que se a mente existe porque sobreviveu através da seleção natural, isto é, por ter se tornado na coisa mais esperta para sobreviver, como poderemos confiar nela? E aqui ele cita e concorda com Alvin Plantinga, um filósofo reformado renomado:

“O evolucionismo naturalista provê uma explicação de nossas capacidades [mentais] que mina a confiabilidade delas, e ao fazer isto, mina a si mesmo” (p. 27).

“Eu concordo com Alvin Plantinga que, ao contrário da benevolência divina, a aplicação da teoria da evolução à compreensão de nossas capacidades cognitivas acaba por minar nossa confiança nelas, embora não a destrua por completo. Mecanismos formadores de crenças e que têm uma vantagem seletiva no conflito diário pela sobrevivência não merecem a nossa confiança na construção de explicações teóricas do mundo como um todo... A teoria da evolução deixa a autoridade da razão numa posição muito mais fraca. Especialmente no que se refere à nossa capacidade moral e outras capacidades normativas – nas quais confiamos com frequência para corrigir nossos instintos. Eu concordo com Sharon Street [professora de filosofia na Universidade de Nova York] que uma auto-compreensão evolucionista quase que certamente haveria de requerer que desistíssemos do realismo moral, que é a convicção natural de que nossos juízos morais são verdadeiros ou falsos independentemente de nossas crenças” (p.28).

Não consegui ler Nagel sem lembrar do que a Bíblia diz:

"Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim" (Eclesiastes 3:11).

"De um só Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós" (Atos 17:26-27).

Nagel tem o sensus divinitatis, sim, pois o mesmo é o reflexo da imagem de Deus em cada ser humano, ainda que decaídos como somos. Infelizmente o seu ateísmo o impede de ver aquilo que sua razão e consciência, tateando, já tocaram.




1 Os dois são os mais conhecidos defensores da teoria do design inteligente. Ambos já vieram falar no Mackenzie sobre este assunto.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Os Mortos Não Podem Ver - Mike Riccardi


No último post, falamos sobre o conceito de morte espiritual, ou o que é geralmente chamado de “depravação total”. Vimos que a avaliação bíblica da humanidade é que estamos mortos espiritualmente, e que se vamos ter qualquer acesso ou relacionamento com Deus, devemos nascer de novo. Essa doutrina ilustra vividamente quão absolutamente somos impotentes para ganhar favor diante de Deus. Não contribuímos para nossa salvação mais do que um bebê contribui para o seu nascimento. Ou, dito de outra forma, não contribuímos para nossa salvação mais do que um cadáver contribui para ser ressuscitado. Por essas razões, essa doutrina é também geralmente chamada de “incapacidade total”.
Mas como eu comecei a dizer no final do último post, o que significa ser espiritualmente morto? Digo, pessoas descrentes estão vivas, certo? Elas estão andando por aí, indo ao trabalho, tendo famílias, fazendo coisas. O que significa quando a Bíblia diz que as pessoas estão mortas? Bem, na interação de Jesus com Nicodemos, encontramos algumas percepções sobre a natureza dessa morte espiritual, assim como a natureza do novo nascimento que Ele diz ser necessário.
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Agora, por que Jesus respondeu a Nicodemos dessa maneira? Nicodemos chega a Ele respeitosamente. Ele O chama, “Rabi,” e “Mestre.” Ele ainda chega louvando-O pelos sinais e maravilhas que Ele está realizando. E ele ainda testifica a divindade de Jesus, reconhecendo que Deus é com Ele! Você deve pensar que Jesus responderia elogiando Nicodemos. Mas Ele não elogia. Nem de perto. Ele diz a ele: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” O que é isso?
Bem, em Mateus 12.28, Jesus diz, “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós”; Ele identifica os milagres feitos por ele com o reino de Deus. Então, quando Jesus diz a Nicodemos – que está glorificando-O pelos Seus milagres – que ele não pode ver o reino de Deus, não é uma coincidência. Com efeito, Jesus está dizendo a Nicodemos, “Ouça, você deve pensar que está vindo aqui me louvar por esses sinais que estou fazendo, mas você não pode realmente ver esses sinais pelo o que eles são e o que eles foram destinados a fazer. Porque você está espiritualmente morto. Você precisa nascer de novo para ver essas coisas, para ver o reino de Deus.”
Jesus está dizendo a Nicodemos que ele não pode acreditar porque ele não pode ver. Ele fala assim em outros lugares.
  • João 8.43-47 – Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. … Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus.
  • João 10.24-29 – … Mas vós não credes, porque não sois das minha ovelhas…
“Vós não me entendem porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (João 8.43-47). “Vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas, e somente as minhas ovelhas acreditam em mim” (João 10:24-29). E aqui: “Você não acredita porque você não pode ver.”
Então, Jesus está dizendo a Nicodemos – e a todos nós – “Se você não nascer de novo, você não pode ver o reino de Deus.” Há aqui uma conexão entre nova vida espiritual e a capacidade de ver. Essa conexão é também confirmada em João 1.4: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.”
Então, aqui temos esses dois conceitos entrelaçados de novo: Vida e Luz. João 1.4 ensina que vida espiritual e verdadeira é achada somente em Jesus. E, então, o próprio Jesus é a Luz que  resgata homens da escuridão. Ele é a Luzque os permite ver. (confira também João 8.32, 12.46).
“Mas, espere um segundo. Como assim Nicodemos não pode ver? Ele está olhando diretamente para Ele! Se ele não pode ver os milagres, como ele saberia glorificar Jesus por eles?” “O que você quer dizer com, ‘Você não pode ouvir Minhas palavras’ (João 8.43)? Se eles não podem Te ouvir, por que Você está falando com eles?”
Essas são perguntas legítimas. Evidentemente, todos nós podemos olhar para algo, percebê-lo com nossos olhos, e realmente não vê-lo. Aparentemente, podemos ouvir alguém falar, e realmente não ouvi-lo. A Bíblia muitas vezes fala dessa forma.
  • Mateus 13.3-14: Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.
  • Deuteronômio 29.2-4:  Chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhe: Tendes visto tudo quanto o Senhor fez na terra do Egito, perante vós, a Faraó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra; as grandes provas que os vossos olhos viram, os sinais e grandes maravilhas; porém o Senhor não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje.
Podemos ouvir com nossos ouvidos, mas não entender com nosso coração. Podemos ver com nossos olhos, mas não perceber com nosso coração. Porque nosso coração está morto. Mais um versículo:
  • 2 Coríntios 4.3-6: Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes nãoresplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
 Então, o que queremos dizer quando falamos sobre morte espiritual? Como a morte espiritual se manifesta?
Morte espiritual é a ausência da Luz necessária para  ver Jesus e Seu reino como eles realmente são, a saber,glorioso e extremamente desejável.
Pessoas espiritualmente mortas podem olhar diretamente  para a glória de Cristo – sejam eles governantes dos judeus no antigo Oriente testemunhando milagres, ou americanos lendo suas Bíblias – e podem ser totalmente não afetadas.Jesus parece tolo. Ou Ele parece com uma muleta mítica e psicológica feita para pessoas fracas. Ou Ele é apenas chato. Porque se não nascermos de novo, não podemos ver Cristo pelo o que Ele é.
Assim, essas passagens nos ensinam que fé em Cristo – nossa vida espiritual -  é a mesma coisa que ver Jesus Cristo como SUPREMA e INCOMPARAVELMENTE GLORIOSO!
Então, aqui está a figura: estamos mortos, o que significa que não podemos ver as coisas como elas são. Quando somos regenerados – quando Deus decide, graciosamente, dar nova vida – temos novos olhos para que possamos ver. Agora, somos capazes de avaliar as coisas como elas realmente são… avaliar o pecado como ele realmente é, e avaliar Jesus como Ele realmente é, comparar os dois, e fazer uma escolha. E agora, finalmente, vendo a glória perfeita de Jesus em toda a Sua plenitude, e vendo o lixo podre do pecado e dos “prazeres” mundanos ao lado dele, com seus olhos novos em folha que podem realmente ver as coisas, você escolhe Jesus.
Esse é o momento da fé. Você é espiritualmente desperto, o que significa que você recebeu olhos que realmente podem ver. Você vê a beleza de Cristo, e você acredita que Ele é o Filho de Deus que se fez homem, que viveu uma vida perfeita e morreu no seu lugar para pagar a pena que incorreu pelo seu pecado. Você acredita que não há outro caminho de achegar-se a Deus além da Sua justiça. E porque você finalmente O vê, Ele é tão doce para você. Você O ama! Você não pode resisti-lO! E você O abraça com braços abertos e alegres de fé, e será salvo.
Se isso aconteceu com você, alegro-me contigo! Deixe-me exortá-lo a entender seu novo nascimento desta forma, isto é, como tendo recebido olhos para ver a glória de Deus na face de Jesus Cristo pelo o que ela é.
Se isso não aconteceu com você, alegro-me que você tenha lido isso. Deixe-me exortá-loa reconhecer e admitir que você é, como a Bíblia diz, espiritualmente morto. Reconheça que você nunca recebeu olhos para ver, e assim Jesus não tem sido essa pessoa convincentemente gloriosa e supremamente desejável; Ele tem sido chato, ou insensato, ou doente. Confesse isso a Deus. Diga a Ele que você está arrependido, que você nunca considerou o Seu Filho como Ele merece, e ore para que Ele lhe conceda vida espiritual, que Ele lhe dê olhos para ver.
Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. (2 Coríntios 4.6)
De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6.40)
Traduzido por Pedro Vilela | iPródigo.com | Original aqui

sábado, 20 de abril de 2013

Sexta Santa - Quem Matou Deus?











Por conta de problemas com o nosso servidor não pudemos publicar esse post na sexta feira da semana santa, mas não poderíamos deixar de compartilhar esse filme com vocês.

O filme abaixo foi produzido pela Mars Hill para a Sexta-Feira Santa, sendo disponibilizado no site whokilledgod.com. O filme mostra o que se passou naquela sexta-feira santa, na crucificação de Cristo. Se você se pergunta “o que é a páscoa?” ou “qual a mensagem da páscoa?” este é o maior significado da páscoa.

Antes de celebrarmos Jesus Cristo ressurreto na Páscoa, nos reunimos como igreja para lembrar sua morte sangrenta e sacrificial na cruz da Sexta-Feira Santa. “Sexta Santa” é um filme fascinante e curto, descrevendo as horas finais da vida de Jesus, e é mostrado no culto da Mars Hill Church para essa lembrança.

Este mês, estamos lançando o filme de 30 minutos online pela primeira vez como um download gratuito para as igrejas que desejam usá-lo nos seus cultos de Sexta-Feira Santa. A nossa oração é que seja benéfico para os pastores e para as congregações em todo o mundo, enquanto nós, cristãos, preparamos os nossos corações de forma fúnebre para lembrar a morte de nosso Jesus.

Nota: O filme contém cenas fortes e não é recomendado para menores de dez anos de idade. Por favor, considere, em oração, a permanência de seus filhos nas classes bíblicas durante a exibição.



Good Friday / Sexta Santa de Mars Hill Church é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported. Baseado no trabalho www.youtube.com. Permissões além deste escopo podem estar disponíveis em marshillchurch.org/. Legenda realizada por voltemosaoevangelho.com
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